PETRÓLEO, HISTÓRIA E SOBERANIA
ENERGÉTICA: LIÇÕES DE 1973 PARA O
BRASIL DE HOJE
Wladmir Coelho
A tensão no Estreito de
Ormuz revela que o mundo continua profundamente dependente do petróleo. A crise
energética de 1973 mostrou como essa dependência pode provocar instabilidade
global e pressionar economias nacionais. No Brasil, iniciativas como a criação
da PETROBRAS e o PROÁLCOOL buscaram reduzir essa vulnerabilidade. O desafio
atual é recuperar o uso estratégico do petróleo e da biomassa como base de uma
verdadeira soberania energética.
1 - O fechamento ou as
restrições de passagem de navios petroleiros pelo estreito de Ormuz revela um
aspecto curioso: AINDA ESTAMOS FORTEMENTE DEPENDENTES DO PETRÓLEO COMO
COMBUSTÍVEL E MATÉRIA-PRIMA.
2 - Estes navios
transportam aproximadamente 20% do petróleo consumido no planeta e, destes,
quase 40% seriam aqueles destinados à China, o chão de fábrica do planeta.
3 - Segundo os dados
disponíveis, a China teria uma reserva em condições de suportar os impactos
iniciais graças ao desenvolvimento de um programa gigante de armazenamento e
diversificação das fontes — neste caso — de energia, notadamente o uso de
células fotovoltaicas e biocombustíveis.
4 – HISTÓRIA: Em 1973, o
cartel da OPEP restringiu o acesso ao petróleo daqueles países que apoiavam
Israel durante a Guerra do Yom Kippur, provocando — para além da elevação dos
preços — uma crise sem precedentes quanto ao abastecimento dos diferentes países,
incluindo o Brasil.
5 - A PETROBRAS: No caso
brasileiro, desde 1953 o país havia decidido romper a dependência externa do
petróleo e assumir a exploração, refino e distribuição de combustíveis, ao lado
da implantação de uma indústria petroquímica em condições de garantir a segurança
energética nacional.
6 – Em 1973, essa
iniciativa — iniciada do zero — contava com 20 anos e ainda buscava a sua
efetivação, incluindo o desenvolvimento de uma tecnologia — veja bem,
TECNOLOGIA e não TÉCNICA — criada a partir das características e necessidades
NACIONAIS.
7 - ENERGIA SOLAR E
HISTÓRIA: A crise de 1973 acabou por colocar em prática propostas apresentadas
desde o início do século XX por autores como Pandiá Calógeras, Manoel Bomfim,
Alberto Torres e outros defensores da formação de uma matriz energética a partir
dos recursos nacionais, com desenvolvimento de TECNOLOGIA LOCAL.
8 – SOBERANIA NACIONAL: E
qual seria a base deste desenvolvimento? Considerando o ponto de vista
político, a defesa da soberania brasileira, a INDEPENDÊNCIA ECONÔMICA,
complementando a INDEPENDÊNCIA POLÍTICA de 1822 e, convenhamos, ainda hoje
incompleta.
9 – PLANEJAMENTO
ECONÔMICO: Os autores do início do século XX que citei não defenderam de forma
direta o planejamento da economia, mas a leitura, mesmo superficial, das
respectivas obras vai indicar a tendência ao estabelecimento deste modelo de
economia, aspecto hoje odiado e condenado — por diferentes lateralidades da
política — que defendem a fé incondicional nas chamadas LEIS DE MERCADO, mesmo
que estas revelem-se — inclusive — contrárias às LEIS DA NATUREZA.
10 – E A ENERGIA SOLAR? A
solução brasileira diante da crise do petróleo foi recorrer à BIOMASSA, um
presente das LEIS DA NATUREZA aos países tropicais que possuem SOL o ano
inteiro e, por isso mesmo, MUITA ENERGIA ACUMULADA ATRAVÉS DA FOTOSSÍNTESE.
11 – O PROÁLCOOL foi a
resposta nacional. Sua aplicação, todavia, não conseguiu romper as condições de
subordinação econômica e antinacional das classes dominantes brasileiras, que
sabotaram TODAS as iniciativas de rompimento da dependência energética desde
Calógeras, passando pela PETROBRAS, nascida de um grande movimento popular e
criada a partir da decisão corajosa do presidente GETÚLIO VARGAS.
12 – Hoje,
lamentavelmente, o conceito de energia solar ficou restrito à utilização de um
modelo importado, através das células fotovoltaicas, ignorando as demais
potencialidades da biomassa que ultrapassam a simples conversão em combustível
para automóveis, alcançando a indústria química e, desta, a fabricação,
inclusive, de plásticos.
13 – A PETROBRAS: A
importância do petróleo — como estamos observando — não desapareceu, mas
infelizmente, desde o governo de Fernando Henrique Cardoso — e ninguém depois
alterou este quadro — o controle efetivo do PODER ECONÔMICO DO PETRÓLEO foi
retirado da empresa nacional e encaminhado para Wall Street, onde é cotado em
dólares conforme os interesses de fundos mil, que ganham muito, muito mesmo, na
guerra e na paz, às custas do trabalho alheio.
14 – Remunerar os ditos
investidores internacionais — na verdade, aplicações financeiras destes
indivíduos muito, muito ricos — passou a ser o destino do conhecimento
acumulado e do trabalho da PETROBRAS.
15 – O PODER ECONÔMICO DO
PETRÓLEO: O termo foi amplamente estudado pelo professor Washington Albino e
revela, em seu significado, a condição do PETRÓLEO como instrumento financiador
da verdadeira revolução ambiental decorrente da ampla e racional utilização da
BIOMASSA, condição abandonada ou, quem sabe, desligada para o seu futuro
controle a partir das LEIS DO MERCADO.
